Empoderando as mulheres empreendedoras

O termo empoderamento feminino tem ganhado enorme destaque nos últimos tempos, com o objetivo claro de busca pela redução das diferenças de direitos entre homens e mulheres, seja no mercado de trabalho ou na sociedade de uma forma geral.

Embora percebamos importantes avanços em relação ao empoderamento feminino, diversos estudos apontam que há ainda uma enorme disparidade de gênero em aspectos financeiros, profissionais e sociais, especialmente no que se refere a salários e oportunidades de ascensão.

O paradigma do modelo familiar tem sofrido transformações relevantes, mas a participação masculina na vida familiar ainda não é proporcional. As mulheres assumem grande parte das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos, e essa dupla jornada dificulta a conciliação entre a vida familiar e a profissional.

Pouco se debate nas companhias como efetivamente implantar um sistema de gestão de pessoas realmente meritocrático, o que certamente corrigiria as distorções de gênero. Porém, a evidência aponta ainda para um alto nível de preconceito e resistência, retardando uma evolução acelerada.

Considerando que as oportunidades de ascensão na carreira ainda são limitadas para as mulheres, será que o empreendedorismo não poderia acelerar o processo de empoderamento feminino? Iniciar um negócio diminuiria a dependência da figura masculina e traria independência em relação ao seu futuro, porém empreender traz maiores riscos e dificuldades, apesar das enormes oportunidades.

Não há uma estatística oficial, mas alguns estudos apontam que cerca de 30% a 40% das empresas do Brasil são detidas por mulheres. Aproximadamente metade dos negócios que se iniciaram em 2016 foram abertos por mulheres. A grande diferença é que as empresas das mulheres crescem menos e poucas efetivamente se tornam médias ou grandes, o que denota certo conservadorismo, ou mesmo falta de oportunidades.

Apesar das diferenças dos gêneros, os fatores culturais ainda influenciam em como as mulheres agem em relação ao potencial do empreendedorismo. Há uma clara evolução no processo de desenvolvimento das mulheres nos últimos tempos, mas poucas são efetivamente preparadas para cuidar das finanças ou mesmo liderar pessoas e negócios. Essas competências, que são essenciais para se iniciar um negócio, precisam ser desenvolvidas, não só pelos seu efeitos práticos, mas também para contribuir com a confiança necessária para que ela se torne uma futura líder e seja reconhecida por sua competência e influência positiva.

Homens tendem a ser mais sistemáticos. As mulheres costumam ter melhor empatia e são geralmente melhores comunicadoras e formadoras de times, além de na média, terem maior nível ético e mais paciência, especialmente na administração das emoções e das relações interpessoais.

São grandes os desafios do empreendedorismo feminino. Primeiramente é preciso quebrar as barreiras culturais e superar o preconceito familiar, o conservadorismo, e às vezes as travas do moralismo excessivo.

Todas as mulheres têm capacidade para empreender. Desta forma, é importante fortalecer a autoestima e lutar pelos seus objetivos. Outro fator relevante é a necessidade de conciliar a vida pessoal com a profissional para não comprometer nem a família nem a companhia.

É importante para a mulher desenvolver uma atitude empreendedora, contudo é vital definir o quanto ela estaria disposta a abrir mão e a se sacrificar para crescer e empreender.

Muitas mulheres se sentem inseguras e despreparadas para iniciar ou gerir seus negócios, mas o mesmo acontece com a maioria dos homens. Insegurança e medo fazem parte da natureza humana, mas o mais importante é ter coragem e resiliência para superar barreiras.

Há diversas organizações sérias que estão se mobilizando para contribuir com o empoderamento feminino no empreendedorismo. A ONU Mulheres, o Sebrae, a Rede Mulher Empreendedora, a Escola de Você, a Endeavor e o Itaú Mulher Empreendedora são ótimas fontes para a mulher se informar e se apoiar para iniciar seu negócio.

O empreendedorismo feminino, além de diminuir as diferenças de gênero, tem potencial de altíssimo impacto social, mas algumas barreiras têm que ser vencidas. É necessário expandir as redes de contatos, criar empresas mais inovadoras e principalmente destinar mais recursos financeiros para suas companhias. Apesar de serem melhores pagadoras, as mulheres geralmente não têm a mesma capacidade de captação de financiamentos do que os homens.

Empreender é realizar, transformar idéias em realidade. É difícil, corre-se riscos e exige sacrifício, mas pode transformar sua vida. Numa sociedade e num ambiente empresarial ainda desbalanceados em termos de gênero, o empreendedorismo feminino é, sem dúvida, uma forma de acelerar o desenvolvimento das mulheres, especialmente na base da pirâmide da sociedade.

Tudo começa com uma ideia e a vontade de empreender. É importante buscar orientação e capacitação, para começar a transformação de vida. Empreender é fascinante, o que pode propiciar maior controle de seu futuro e acima de tudo, possibilitar de forma justa que a mulher alcance seu máximo potencial.

Ricardo Mollo é empreendedor, CEO da Brain Business School e PhD candidate na University of London.

Cristina Delboni é executiva, possui mestrado pelo IPT e é Gerente de Operações da Brain Business School.

Artigo publicado em:
http://blogs.pme.estadao.com.br/blog-do-empreendedor/empoderando-as-mulheres-empreendedoras/

2018-10-24T18:22:00+00:00