Para o CEO e cofundador da Brain, Ricardo Mollo, o legado do aluno empreendedor é também legado do professor, é uma conquista conjunta

Todos os anos são abertas, no Brasil, cerca de 800 mil empresas e, no mesmo período, a mesma quantidade de companhias encerra suas atividades. A taxa de mortalidade em dois anos de operação é de assustadores 33% das empresas. De acordo com o histórico do país, daqui cinco anos, das cerca de 10 mil startups de 2018, 74% terão fechado as portas. E por que isso acontece? Além dos desafios inerentes ao ambiente econômico brasileiro, faltam ao empreendedor, principalmente, planejamento, gestão e capacitação. 

 A maioria dos alunos de graduação se prepara para ter um emprego, trabalhar em empresas onde são treinados em programas de estágio ou trainee. Como analistas, ainda têm a mentoria de gerentes e supervisores que lhes ajudam a trilhar a carreira corporativa. Os poucos alunos que se arriscam a empreender ficam sozinhos. Não têm um mentor que os guie, ainda que tenham uma rede com quem possam trocar experiências. Muitas vezes são obrigados a procurar por conta própria as saídas para seus desafios diários.

 Por isso o papel do professor é tão importante na carreira empreendedora. Sua principal contribuição é ajudar o aluno a se planejar e estruturar sua ideia para que ela se transforme em algo concreto. Isso vale para todas as fases do negócio: da ideia inicial à conquista dos primeiros clientes e, depois, na consolidação da companhia para uma operação de fusão e aquisição, por exemplo.

O professor de empreendedorismo

A primeira forma de contribuir com o aluno é pela transferência de conhecimento pragmático, mas de uma forma abrangente e relevante. Hoje, a informação é pública, disponível e abundante. Os alunos precisam de alguém com mais experiência que os guie, direcione sobre o que ele precisa para seu negócio, como usar as informações disponíveis a seu favor.

 Ele também precisa ajudar o aluno a desenvolver competências e habilidades que vão fazer a diferença em seus empreendimentos. O empreendedor precisa ter coragem para fazer o que é necessário, com disciplina na execução da sua ideia. Precisa ter determinação, persistência e resiliência, pois ele precisa estar preparado para se reinventar, reerguer a cada dificuldade. Ele precisa ter consistência, vencer muitas batalhas, ainda que não todas. São características comportamentais que podem ser desenvolvidas nas pessoas, uma vez que não se tem espontaneamente todas elas.

Por fim, e não menos importante, o professor deve guiar o aluno no sentido de mudar sua atitude para executar e melhorar performance. Nesta hora, ele precisa estar ao lado do aluno, caminhar junto na jornada empreendedora. Ele pode promover o acesso do aluno a uma rede de contatos do ecossistema, como ex-alunos, empreendedores, investidores, mas também deve estimulá-lo a buscar parceiros, sócios e outros mentores. 

Quando o professor entende os dilemas do empreendedor na prática, e não da forma que a academia enxerga, ele ajuda o aluno estruturar suas ideias e estimula sua execução. Também pode dar apoio na captação de recursos e desafiar o aluno a fazer melhor e diferente, ir além do horizonte que ele está enxergando. Esse reforço positivo é muito importante para o empreendedor não perder o fôlego em sua caminhada.

Um professor de empreendedorismo é muito mais que um transmissor de conhecimento. Orienta e divide sua experiência com o aluno, preenchendo a lacuna de mentoria que existe na solitária carreira empreendedora. Ele é mentor e é também um parceiro. Faz a ponte entre o aluno e o ecossistema do empreendedorismo, é um mentor e um parceiro. 

Na abertura do Evento Nacional Enactus Brasil 2019 (ENEB 2019), o professor Ricardo Mollo, definiu muito bem esse papel: “Eu decidi que vou ajudar o empreendedor a ter sucesso. Essa é minha contribuição como professor”. Para o CEO e cofundador da Brain, o legado do aluno é também legado do professor, é uma conquista conjunta.